sábado, 16 de maio de 2015

AINDA NÃO GANHAMOS A LUTA CONTRA O ENSINO DA IDEOLOGIA DE GÊNERO NAS ESCOLAS




Acompanhar a regulamentação do Plano Nacional de Educação (PNE) nos estados e municípios DEVE SE CONSTITUIR EM PRIORIDADE PARA A IGREJA. Este Plano que deverá ser regulamentado em todos os estados e municípios até o dia 24 de junho, norteará a educação brasileira nos próximos 10 anos.

Além da atenção com as correntes políticas e ideológicas, o modelo pedagógico, o currículo e a natureza do investimento dos recursos financeiros, outro motivo de preocupação é o conceito de IDEOLOGIA DE GÊNERO. Isto porque, essa ideologia que foi rejeitada pelo Congresso durante a votação da lei do PNE 13.005/2014, entrou na pauta da mesma lei nos estados e municípios.

De acordo com essa teoria, a criança nasce sem um sexo definido. Quando a criança nasce não deve ser considerada do sexo masculino ou feminino; mais tarde, na adolescência ou juventude, fará a escolha para ser homem ou mulher. Essa é a chamada Identidade de Gênero ou Ideologia de Gênero. Na escola, não se pode chamar o aluno de menino ou menina, mas de criança. Os brinquedos são compartilhados igualmente pelos meninos e pelas meninas e ambos usam o mesmo banheiro.

Estão previstos cursos de capacitação em Ideologia de Gênero para os professores, que deverão instruir alunos e participar da conscientização das famílias para esta nova realidade.

Em todo o país, secretarias municipais e estaduais de educação estão promovendo “audiências públicas” com o objetivo de colher subsídios para a elaboração de suas diretrizes educacionais, de acordo com o PNE. Depois de finalizados, os textos serão enviados às casas legislativas municipais e estaduais pelos prefeitos e governadores, respectivamente.

Durante as audiências públicas, o texto final da Conferência Nacional de Educação 2014 (CONAE) é bastante valorizado como fonte de consulta e reflexão porque o ambiente educacional tende a considerar essa Conferência como representativa dos sindicatos, movimentos sociais e universidades.

Acontece que esse texto do CONAE 2014 é fortemente marcado pela agenda da Revolução Cultural Marxista, lugar onde o Governo Federal se inscreve ideologicamente, e se coloca claramente contrário aos princípios das culturas judaica e cristã.

http://fne.mec.gov.br/images/doc/DocumentoFina240415.pdf

Leiam especialmente o Eixo II (p. 29-50) que trata da diversidade cultural e dos direitos humanos. Observem esses dois trechos:

“(...)  Diz respeito à efetivação da educação pública democrática, popular, laica e com qualidade social, banindo o proselitismo, o racismo, o machismo, o sexismo, a homofobia, a lesbofobia e a transfobia nas instituições educativas de todos os níveis, etapas e modalidades. (...) Historicamente os movimentos feminista, indígena, negro, quilombola, LGBT, ambientalista, do campo, das pessoas com deficiências, dentre outros, denunciam as ações de violência, desrespeito aos direitos humanos, intolerância religiosa e toda forma de fundamentalismo, racismo, sexismo, homofobia (rejeição e/ou aversão a qualquer forma de expressão da sexualidade diferente dos padrões hetero-normativos.”

O texto da lei 13.005/2014 (abaixo) é genérico e fala da “erradicação de todas as formas de discriminação”, sem especificá-las, mas o texto do CONAE (acima)  faz questão de mencionar quais formas de discriminação seriam e, na oportunidade, inclui a Ideologia de Gênero.


 O Artigo 2º da referida Lei estabelece as diretrizes do Plano Nacional de Educação. O inciso III declara que:

“Art. 2º São diretrizes do Plano Nacional de Educação

III - a superação das desigualdades educacionais com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação.”

Texto completo da lei 13.005/2014
http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/125099097/lei-13005-14

É possível que boa parte dos parlamentares estaduais e municipais não se deem conta desses detalhes, caso não sejam avisados. E muito possivelmente votem e aprovem sem questionamentos um plano que foi tão amplamente discutido e escrito pelas mãos de “especialistas” em educação. Digo isto porque tomei a iniciativa de procurar os vereadores da minha cidade, Goiânia, apresentando-lhes uma carta de alerta assinada pelos deputados federais João Campos e Givaldo Carimbão, além do senador Magno Malta.

Até agora visitei 14 vereadores para os quais fiz duas perguntas: o senhor tem conhecimento que chegará a esta casa a versão municipal do Plano Nacional de Educação? O senhor sabe com clareza a definição de IDEOLOGIA DE GÊNERO? Apenas 2 vereadores souberam responder a estas perguntas.

Quando expliquei aos que não sabiam o sentido do termo Ideologia de Gênero, quase todos discordaram dessa teoria e disseram que jamais votariam favoravelmente à sua aplicação nas escolas. Em vista do exposto, acredito na eficácia de um trabalho sistemático, como este que tenho feito, de conscientização/convencimento dos vereadores e deputados sobre as implicações da aprovação do ensino da Ideologia de Gênero nas escolas.

Os promotores dessa ideologia agem com esperteza. Eles perderam a oportunidade de inserir o termo Ideologia de Gênero no texto do PNE votado pelo Congresso. Mesmo assim, não desistiram. Encaminham-se para as secretarias municipais e estaduais de educação onde as versões locais do PNE estão sendo confeccionadas.

Quais ações devem ser tomadas pela Igreja para evitar que os defensores da Ideologia de Gênero continuem tendo sucesso em suas investidas nas versões municipais e estaduais do PNE?

(porque alguns municípios já votaram e aprovaram suas versões de PNE com as modificações sugeridas pelo CONAE 2014, contrárias ao texto do Congresso)

Neste momento, considero que intervenções nossas nas audiências públicas realizadas pelas secretarias de educação, teriam pouco efeito prático. Com raras exceções, as secretarias de educação atuam como rolo compressor e aceitam muito bem as recomendações do CONAE 2014, muito mais do que as nossas.

2)     Nossa intervenção pode se dar em duas fases: antes do envio do texto ao legislativo, pelo executivo, pressionando politicamente prefeitos e governadores para que façam a devida adequação no texto antes de enviá-lo ao parlamento; depois do envio do texto ao legislativo, pressionando politicamente os parlamentares, caso o executivo não nos dê ouvidos e concorde com as inserções feitas pela secretaria de educação.

3)     Pessoas devem se colocar à disposição para esclarecer/conscientizar vereadores e deputados estaduais INDIVIDUALMENTE, em seus gabinetes, sobre o conceito de Ideologia de Gênero e as consequências que este ensino nas escolas pode gerar para a sociedade.  Este é um passo necessário e urgente.

4)   Lideranças expressivas do meio evangélico e católico devem procurar Prefeitos e governadores, de preferência, antes da redação final do texto, para expressarem a preocupação dos cristãos com este tema.

Se é verdade que nossa causa não é individual ou de grupos, este é um momento de unir forças e relevar diferenças de relacionamento entre irmãos, visando o bem do Reino. Embora sejamos mais numerosos que os adversários nesta questão, estamos em desvantagem estratégica, mais uma vez. Novamente, corremos atrás do prejuízo.

Para esse projeto deveriam vir: pastores de igrejas, ministérios e missões; conselhos de pastores; presidentes de convenções; padres; professores e parlamentares. Já pensaram na força política de um presidente convencional cuja denominação se espalha por várias cidades ou estados? Ele pode mobilizar a liderança da igreja que preside em cada cidade e/ou estado para fazer as articulações necessárias. Já pensaram na força que tem o mesmo pedido feito por um grupo de pastores, padres bispos ao prefeito ou governador? E a força dos deputados federais em fazer articulações nas assembleias legislativas, câmaras de vereadores, prefeituras e governos?

Eu, um professor comum, faço minha parte, voluntariamente, às próprias expensas, realizando a tarefa de informar/conscientizar políticos, procurando-os em seus gabinetes. Tomara que Deus levante mais pessoas para esta tarefa, antes que seja tarde.

Orley José da Silva, é evangelista na ADCampinas (Goiânia), professor, mestre em letras e linguística (UFG) e mestrando em estudos teológicos (SPRBC).