sábado, 26 de março de 2016

Governos FHC, Lula e Dilma são comparados em livro didático/2016


Este livro compara os dois governos de Fernando Henrique Cardoso, com os dois de Lula e o primeiro de Dilma Rousseff. Sobre o primeiro mandato de FHC os autores dizem que "A economia se manteve estável. O programa de privatizações continuou de forma acelerada; entre as estatais vendidas incluíram-se empresas de telecomunicações, energia elétrica, mineração e setor financeiro."

No livro do professor há a seguinte recomendação de acréscimo: "Como exemplo de privatização, é possível citar a venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e a divisão do sistema Telebrás."

O livro elege e enumera outros pontos negativos desse governo além da venda de estatais: apagão de energia, aumento das dívidas interna e externa, crescimento do desemprego, desigualdade na distribuição de renda, corrupção no processo da reeleição e favorecimento aos grupos financeiros.

A mensagem que se pode inferir do texto é que o governo FHC, embora tenha conseguido manter a estabilidade econômica, dedicou-se a vender empresas estatais, aumentar o desemprego, acentuar a desigualdade social e privilegiar os bancos.

Ao falar dos governos Lula, o livro inicia assim: "Ele foi o primeiro presidente originário das camadas mais pobres da população." Em seguida, diz que o maior desafio dele foi combater a miséria e o desemprego. Para tanto, "buscou garantir à população mais carente direitos essenciais."

Além de oferecer "bolsas de estudo para jovens pobres em universidades particulares", o presidente Lula combateu a seca na região Nordeste e promoveu a integração nacional. 

E no último parágrafo, afirma que "o governo Lula teve como principais marcas a retomada do crescimento do país, a redução da pobreza e da desigualdade social, a estabilidade econômica, o fortalecimento do país nas relações internacionais."

O livro do professor, como subsídio argumentativo sugere ao professor "comentar com os alunos que o Bolsa Família ajudou, de certa forma, na educação e na saúde das crianças, pois as famílias beneficiadas pelo programa eram obrigadas a manter os filhos na escola e levá-los aos postos de vacinação."

Não se percebe no texto a boa vontade em registrar pontos negativos dos governos Lula, a exemplo do mensalão, conforme se fez no relato dos governos FHC. Antes, os sublimou: "Alguns escândalos políticos prejudicaram a imagem do governo, no entanto os bons resultados obtidos possibilitaram que, em 2006, Lula fosse reeleito para seu segundo mandato."

Dilma, por sua vez, é apresentada como "a primeira mulher presidente do país." (com destaque em negrito pelo próprio livro, para marcar a importância do acontecimento)

Comparado aos governos Lula, o governo Dilma dá continuidade aos programas sociais como o Bolsa Família e ainda acrescenta outros; aumenta o nível de emprego e o valor do salário mínimo; diminui o desmatamento da Amazônia; reduz a pobreza, as desigualdades sociais e a mortalidade infantil.

Os autores isentam a presidente Dilma dos pontos negativos de seu governo, creditando-os às circunstâncias de percurso. A queda no crescimento do país, por exemplo, é em virtude da crise mundial e pela necessária demissão de ministros envolvidos em corrupção. 

No livro do professor, há uma orientação para o professor "Comentar com os alunos que, o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em 2014 se conseguiu no Brasil a primeira geração de crianças sem fome, quebrando o ciclo de pobreza que há séculos domina a história do país."

A leitura cuidadosa das sínteses que caracterizam os três governantes mostra a tendência dos autores em escolher e interpretar aspectos políticos, sociais e econômicos desses períodos. Tanto as escolhas quanto a interpretação deles podem ser questionadas, com a suspeita, inclusive, de promover nos alunos a formação de opinião favorável aos presidentes Lula e Dilma e desfavorável a FHC. 

Neste caso, especificamente, o direcionamento calculado da opinião de alunos do 5º ano do ensino fundamental, com 10 anos de idade. 

Não se percebe, na construção discursiva dos textos, que o esforço seja pela busca do equilíbrio ou isonomia na exposição e análise dos procedimentos desses governos. Os próprios subsídios ao professor, reforçam esta suspeita. 

A necessária busca pelo ideal de neutralidade e a justa apresentação dos fatos com suas diferentes interpretações é que possibilitam o surgimento de um aluno com autonomia de pensamento. Ensino tendencioso e militante, além de produzir símiles, violenta o direito de livre consciência do aluno.

Orley José da Silva, é professor em Goiânia, mestre em letras e linguística (UFG) e mestrando em estudos teológicos (SPRBC)  

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quinta-feira, 24 de março de 2016

Maria do Rosário defende direitos humanos em livro didático/2016





A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) ilustra um conteúdo de língua portuguesa cujo enunciado principal versa sobre reivindicações de crianças e adolescentes indígenas. Na mesma página, o nome da então ministra dos Direitos Humanos aparece três vezes como ouvinte e recebedora dos anseios do 1º Fórum Direitos e Cidadania na Visão das Crianças e Adolescentes Guarani Kaiowá, ocorrido na Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 22 de outubro de 2013.  

As autoras do livro ao tratarem da temática indígena escolheram para o relato do referido Fórum encontrado na página eletrônica da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Uma pergunta que pode ser feita é por que a escolha desse texto e não de outro que apresentasse a questão indígena sem personificar qualquer figura do Governo?

Outro questionamento é sobre a escolha de um evento ocorrido em 2013 para compor um livro didático para o triênio 2016/18. Por que as autoras não lançaram mão de um texto mais atualizado?

Em sistemas de ensino que fazem questão de acentuar um determinado viés ideológico, é comum a promoção, mesmo que discreta, de personagens ligados a partidos políticos ou movimentos sociais. 

Com a apresentação dessas pessoas e de suas bandeiras políticas nos materiais didáticos, emprestam-lhes credibilidade junto ao público estudantil. Mesmo que esse público seja composto de alunos do 4º ano do ensino fundamental, crianças de 9 anos de idade.  

É claro que as crianças não votam. No entanto, nesse modelo de ensino, os livros levam-nas a admirar personalidades políticas e bandeiras sociais. Preparam, deste modo, eleitores fieis e militantes aguerridos para o futuro. Para um partido ou conjunto de partidos que constroem um projeto perpétuo de poder, a doutrinação das crianças na escola constitui-se em estratégia básica.

O livro em referência faz parte do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD/2016) e tem circulação nacional. Pode-se aventar que o Partido dos Trabalhadores (PT) ganha em simpatia com as crianças porque liga-se à figura da deputada Maria do Rosário, inserida numa causa de apoio às crianças e adolescentes indígenas. Já a deputada, certamente levará vantagem junto aos alunos do seu estado, o Rio Grande do Sul, visto que terá sua imagem marcada positivamente no imaginário deles.

Orley José da Silva, é professor em Goiânia, mestre em letras e linguística (UFG) e mestrando em estudos teológicos (SPRBC)


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